do choro ao riso

|2:12|

um despedaço de amor
em cada canto de um copo
quebrado de cacos afiados
destila caçada do afeto em cada cor

a caçada sem dor porque
as coisas passam e a gente aprender
a transformar a angústia em flor
o preto no branco
o choro no canto

você sempre será uma das melhores partes de mim
mas eu sempre serei a minha melhor versão
e nos anos que chegam
não há mais espaço pro vazio
eu quero é imensidão

e mesmo assim sei que ao ver seus olhos
seu rosto
seu sorriso
ah…

mas até lá prefiro ser eu
porque já que você prefere me fazer.. isso
eu prefiro me fazer
e fazer meu riso

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overthinking

|5:12|

dorme
acorda
dorme
acorda
levanta
volta
dorme
acorda

e assim a gente vai pensando
se enrolando
pensando em se desenroscar
considerando parar
ou não

seu jeito estranho de lidar
me deixa louca pra falar
que as coisas poderiam ser mais fáceis
se a gente não quisesse tudo de imediato
definido

se a gente não tivesse medo do amanhã
ou de como os outros vão lidar
se a gente soubesse que só o que basta
é amar

e digo amor de carinho
amar baixinho
sem muito pensar

mas eu não quero mais isso
ficar pensando no meio dos compromissos
quero você pra mim por inteiro
e não essa meia atenção
esse meio sorriso
essa meia conversa
que evita e inventa
afinal, você sabe, nunca gostei de meia felicidade

aí na madrugada
penso naquela festa
você sabe qual
e como tudo fica diferente quando estamos lá
sem ninguém pra se preocupar
deixem falar

5:10 e já dormi, acordei e levantei
mas os pensamentos não espairecem
e a cada hora que passa
a minha única certeza
é que eu com certeza
não sei de nada

Não crer?

|3:45|

Por Pedro Freire

Ser ou não ser?
Crer ou não crer?
Seguir o cliché
que me ensinaram,
Sem ver?

Na madrugada transformo
A certeza genética,
Pela dúvida metódica,
Em dúvida vital

Dúvida vital, sim
Pois não sei viver com tal
Indecisão, que me cerca
E me rodeia, a Indecisão.

Dúvida vital, sim
Pois não sei mais
Continuar no antigo modo
Nem sei mudar ao novo

Veja, estou estagnado
Num mundo de nadas
Que tudo me perguntam
E tudos que nada me dizem
Não sei pra onde correr
Mas corro, estagnado

Em vão, corro
Corro da verdade,
E – finjo que tento, – da mentira
Mas não sei pra que lado vou
E desconheço aquele que poderia
Me mostrar um caminho

N’Ele, crer ou não crer?
Não me parece uma escolha
Mas insisto nisso pensar
Talvez buscando refúgio
À covardia de meu ser
                [Ou não ser?

O desconheço,
Mas já O conheci
Quando a vida era pura excelência
Tola, a inocência me acariciava
E, ainda secreta,
A Vontade de Potência
Já rugia dentro de mim,
Como um cordeiro manso

Hoje rugir ainda faz parte
Hoje Vontade de Potência
Se mantém, sempre se mantém
Mas o cordeiro
E a inocência
Me deixaram
Me deixaram só
Eu e minha mente indecisa, sós

Quem dera me mantivesse
Na inocência dos cegos que creem
Cegamente no pastor

Antes fosse a ovelha acariciada
E alegre ao pasto
Que o que vê,
Como O Portador da Luz
Que foi jogado à escuridão,
E não se contenta com a visão, afinal,
“Quem come do Fruto do Conhecimento
Sempre é expulso de algum paraíso”

Pois perceba,
Que o começo é sempre igual
E a conclusão é sempre a mesma
E toda madrugada se repete, igual

Ser covarde é a única
Certeza, por não aceitar
A maior incerteza
Já provada em mil alvoradas

      [Então sei que sim,
        a aceito, mas não, não
         posso deixar de crer,
          me nego]

Troquei um cordeiro obediente
Por um corvo insolente
consigo mesmo
e se enganando,
novamente, mente
Que será?
Crer ou não crer?
Talvez a próxima madrugada irá dizer

28

|03:14|

tudo desaparece do meio da minha caverna de pensamentos
tão cinzentos que até prendem o ar
deixando a dúvida se é falta de ar
ou vontade de chorar
porque tudo mudou
mudou em mim
e mudou lá

inconstância sempre foi meu nome do meio
o prazer de acordar e não saber muito bem onde foi parar
mas sempre se lembrar
o que te trouxe lá

dessa vez a paisagem é outra
não tem ninguém pra me sustentar
mas os outros continuam lá
mesmo que eu só esteja a olhar

mudar é uma ironia da vida
eu mudei e você ficou
e mudou também

já não sei mais no que me apoiar
porque a mesa brilhante de vidro
se quebrou em 100
mas continua lá
e essa é a maior ironia
não preciso nem falar

28 dias e quem toma conta é o medo
de voltar e você não se lembrar
daquele último sussurro
de que nada iria mudar

de eu não me lembrar
o que é a ternura
e não reconhecer
nenhuma doçura no seu olhar

mas serei pra sempre uma criança
que carrega ingenuidade no pensar
que mesmo a bala ardida
cede e fica doce
depois de provar

sem título

                                     |1:22|

numa imensidão de pensamentos 

que vem e não vão 

enchi o minha insônia de indagações 

e desejos 

todos imensuráveis, indestrutíveis incompreensíveis 

fazer mais do mesmo pareceu sempre a melhor opção 

pra te ter por aqui 

aquecendo o coração 

porque já foi-se o verão
mas não sei mais se te pertenço 

afinal não sinto que devo te pertencer 

a dúvida não é o problema 

o problema é justamente quando a certeza chega

pra nos fazer contestar tudo 
e contestando eu aprendo que o mundo não está para mim 

que eu que estou para o mundo 

porque o mundo e sua imensidão 

não me deixarão só

como você me deixou 

me digas que não

|01:01| |21:01|

eles dizem que tu não tá nem aí
que passa os dias e tu ri
pensando que eu to aqui
só querendo te ver sorrir

chega a noite fria e quieta
e com ela a solidão
de lembrar que o tempo o passa
e que ele não tem perdão

a mente vibra ouvindo falar
coisas tão terríveis
mas você nunca estará no meu lugar
porque eu tenho perdão
nunca te deixaria na mão

me dizem que tu queres liberdade
mas que vida é essa que tu dizes coisas na maldade?
ainda não tenho olhos atrás
mas tudo bem porque já não quero mais

9423 quilômetros exatos
que fizeram tudo desaparecer
sem uma palavra de você

o que acontece eu não sei
afinal só sei que nada sei
e mesmo assim espero
que nem tudo seja o que eu soube

afinal, não quero acreditar naquela fria noite de julho
onde me dizias que o que eu via era uma ilusão
e que o que poderia vir me deixaria sem chão
por favor
me digas que não

única estrela do céu

|2:10|

uma estrela no céu
sozinha,
estridente
feita pra gente

o medo me consome e eu fecho a janela
e a estrela continua lá,
calma e bela

é apenas uma
para compartilhar
dores
amores
que ela tem para nos dar

compartilhar o som da sua voz nos meus ouvidos
o toque da tua boca na minha
as curvas do teu cabelo sobre os meus
igualmente curvados

compartilhamos risadas e tristezas
muito antes de percebermos
que o motivo do riso
e nem tanto do choro
estava logo ali

dizes que és meu
assim como a última estrela no céu
sempre lá
então deixe estar